O Município da Serra - ES, teve início com a fundação de uma aldeia próxima ao morro Mestre Álvaro - montanha com 833,00m de altitude; na várzea, onde foi construída uma pequena igreja e em volta se estabeleceram os fundadores, em local diferente onde hoje se encontra a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, ½ légua da atual localização da Igreja matriz.
Seus fundadores foram Maracajaguaçu, Chefe dos índios Temiminós e o padre jesuíta Brás Lourenço, que a 08 de dezembro de 1556, terminaram a obra da igreja e assim, fundaram a então, a Aldeia de N.S. da Conceição da Serra, hoje Serra.
Os índios Temiminós haviam mudado para a capitania do Espírito Santo, saídos da atual Ilha do Governador, Estado do Rio de Janeiro. Seus líderes eram Maracajaguaçu e seu filho Araribóia que, eram altamente prestigiados pelo Donatário Vasco Fernandes Coutinho - que iniciou a colonização do Espírito Santo em 23.05.1535. Participavam sempre dos principais eventos e solenidades da Capitania. O outro fundador, padre jesuíta Braz Lourenço, havia chegado de Portugal em 1553, junto com o padre também jesuíta, José de Anchieta.
A Aldeia de N. S. da Conceição da Serra, é elevada à freguesia por Carta Régia de 24 de maio de 1752 somente instalada em 1769, depois de construída a igreja nova, matriz que tinha por filial a ermida de S. José.

| Foto da Igreja de N. S. da Conceição da Serra, ainda sem as torres |
A então freguesia de N.S. da Conceição da Serra foi elevada a categoria de Vila, em 1822.
O município da Serra foi criado em 1833, com território desmembrado do município de Vitória, através da resolução do Conselho de Governo de 02 de abril de 1833, e instalado em 19 de agosto daquele ano.
Em 19.03.1849 - Deflagra um movimento de libertação dos escravos, em São José do Queimado, que foi desmobilizado pela força militar da época e levou a enforcamento dois dos líderes da revolta: Chico Prego e João da Viúva. O primeiro, enforcado na então Vila de Nossa Senhora da Conceição da Serra e o segundo, enforcado na Vila de São José do Queimado.
Em 06.11.1875 - a sede do município da Serra deixa de ser vila e é elevada a categoria de cidade. A instalação foi solene, com festa organizada pelo Deputado provincial, Major Joaquim Pereira Franco Pissarra, e políticos locais no dia do aniversário de D. Pedro II - 02 de dezembro de 1875. O Major Pissarra foi o autor da Lei que transformou a vila da Serra em cidade.

| 1875 Região onde hoje existem as praças João Dalmácio Castello, Praça de Encontro e Barbosa Leão Foto: Albert Richard Dietze |

| 1920 Canoeiros Transportando café pelo rio Santa Maria |
No século XIX, a Serra muito se desenvolveu, por ser um entreposto de comércio para a região norte e litorânea norte e, ainda, pela sua produção de maior destaque de açúcar e café. No início do século XX foi iniciado um processo de decadência. São José de Queimado, hoje distrito da Serra, situado à margem do rio Santa Maria, possuía um porto, "Porto do Una", onde eram embarcadas em grandes canoas, que comportavam mais do que 100 sacas de café, a produção da região da Serra e, onde eram desembarcados os produtos importados, para atender as necessidades locais. O rio, servia como via para o transporte em geral, inclusive para a integração de Vitória com a Serra e o interior norte, por ali, as pessoas se deslocavam de um lugar para outro.
Com o advento da ferrovia Estrada de Ferro Vitória Minas EFVM, e mais tarde a crise econômica mundial de 1929 que afetou o comércio de café e conseqüentemente a economia da Serra. A vila de São José do Queimado sumiu, literalmente desapareceu. Ali não existem mais casas, a não ser, uma aqui, outra acolá, por sinal sofríveis, onde residem uns poucos, poucos mesmo, agricultores locais. Na vila, só existe a ruína da Igreja de São José, pois, o comércio passou a acontecer diretamente com Vitória, e por conseqüência, a Vila de Queimado sumiu e a Serra minguou.

| Inauguração do primeiro trecho da EFVM - 13.05.1904 |

1921 - é iniciada a construção da primeira estrada de rodagem entre Serra e a Capital, idealizada e coordenada a sua construção pelo serrano, Cassiano Cardoso Castello, então, Secretário de Interior e Justiça do Estado do Espírito Santo, no Governo Nestor Gomes. A via foi concluída, em 1923, pelos presos da penitenciária que, a abriram à mão, medida tomada para interiorizar o desenvolvimento e resgatar os dias de glória da Serra.

| 1922 Presos trabalhando na construção da estrada Vitória-Serra |
11.11.1938 - é editado o Decreto-Lei nº 9.941, que fixa a divisão territorial do Estado, que vigorará sem alteração, de 1 de janeiro de 1939 a 31 de dezembro de 1943, e dá outras providências, assinado por João Punaro Bley, Celso Calmon Nogueira da Gama, Nelson Goulart Monteiro e Carlos Femando Monteiro Lindemberg que, assim fixou os limites do município da Serra, compreendido pelos distritos sede, Itapocú (hoje Calogi) e Nova Almeida.
O decreto acima foi editado na conformidade das normas gerais firmadas pela Lei Orgânica Nacional nº 311, de 2 de março de 1938. Nesta época os distritos de Queimado e Carapina eram pertencentes à Vitória e, o atual distrito de Calogi possuía o topônimo de Itapocú.
Em 31.12.1943 - O município da Serra-ES passa a ser constituído dos distritos de Carapina, Nova Almeida - que já foi distrito sede do município de mesmo nome, Queimado, Serra e Calogi (antigo Itapocu), conforme o Decreto-Lei nº 15.177/1943. O município teve duas fases distintas de sua economia: a inicial rural, fase em que produzia cana-de-açucar, café, mandioca e, em menor escala cereais, e ainda, extração de madeiras de lei. Havia um início de agroindústria, um tanto quanto rudimentar, com engenhos de produção de açúcar e aguardente, assim como, produção de farinha e máquinas de beneficiamento de arroz e produção de fubá de milho.

| Trator à margem da construção da BR 101, no local onde hoje situa-se o bairro Divinópolis. Agachado fumando cachimbo o ex-prefeito da Serra Rômulo Leão Castello sem a mão direita, que perdeu por ocasião das comemorações da vitória política de seu partido (PSD) em todos os níveis de governo. |
Na década de 50, iniciou-se uma grande produção de abacaxi. Os frutos eram vendidos para outros estados do país e, também, exportados para outros países, principalmente, Argentina.
No início da década de 50 foi iniciada a construção da BR 101, o que promoveu, embora, no início, timidamente, o progresso da Serra. O município voltou a experimentar novo desenvolvimento, de uma forma acentuada, a partir da década de 60 (século XX).
Na sua primeira fase, rural, a população era quase constante. Houve uma redução após o ano de 1872. Neste ano possuía 11.032 habitantes, fato ocasionado, dentre outros, pela abertura da ferrovia EFVM, quando da inauguração do primeiro trecho: Porto Velho - Cariacica (Km17,26) - Alfredo Maia (Km28,873) se deu em 13 de maio de 1904, o que levou os moradores da região a comerciarem diretamente com Vitória. A redução da população da Serra, também se deu pelo êxodo rural, um fenômeno acontecido em todo o Brasil.
Em 1960, é dado inicio à segunda fase, a fase industrial. A Serra possuía uma população de 9.192 habitantes, a partir desta data, começam os investimentos na região e, muda a configuração urbana do município; o distrito de Carapina passa por um processo de grande desenvolvimento. Em 1963 é iniciado o Porto de Tubarão e, em 1969 é iniciado o CIVIT I, o que levou a população do município da Serra, em 1970 para 17.286 habitantes. Na década de 70, outro investimento de grande porte é iniciado em solo serrano. Em 1976 inicia-se a construção da Companhia Siderúrgica de Tubarão -CST, que alavancou novo crescimento populacional, pois em 1980, o município já possuía uma população de 82.450 habitantes. No censo do IBGE de 2000 foi encontrada uma população de 330.874, habitantes que, com o advento laminador de tiras a quente da CST e seu projeto para a instalação de seu terceiro alto forno, novo surto de desenvolvimento econômico e crescimento populacional será experimentado.
